21 de agosto de 2011

O AMOR NO COLO



A dor não pede compreensão, pede respeito. Não abandonar a cadeira, ficar sentado na posição em que ela é mais aguda. 

Vejo homens que não têm coragem de terminar o relacionamento. Que não esclarecem que acabou. Que deixam que os outros entendam o que desejam entender. Que preferem fugir do barraco e do abraço esmurrado. Saem de mansinho, explicando que é melhor assim: não falar nada, não explicar, acontece com todo mundo. Encostam a porta de sua casa (não trancam) e partem para outra vida. Não é melhor assim. Não tem como abafar os ruídos do choro. O corpo não é um travesseiro. Seca com os soluços. Não é melhor assim. Haverá gritos, disputa, danos. É como beber um remédio, sem empurrar a colher para longe ou moldar cara feia. É engolir o gosto ruim da boca, agüentar o desgosto da falta do beijo. Será idiota recitar Vinicius de Moraes: "que seja infinito enquanto dure". A despedida não é lugar para poesia. Haverá uma estranha compaixão pelo passado, a língua recolhendo as lágrimas, o rosto pelo avesso. Haverá sua mulher batendo em seu peito, perguntando: "Por que fez isso comigo?" Haverá a indignação como última esperança. Haverá a hesitação entre consolar e brigar, entre devolver o corte e amparar. Vejo homens que somente encontram força para seduzir uma mulher, não para se distanciar dela. Para iniciar uma história, não têm medo, não têm receio de falar. Para encerrar, são evasivos, oblíquos, falsos. Mandam mensageiros. Não recolhem seus pertences na hora. Voltarão um novo dia para buscar suas coisas. Não toleram resolver o desespero e datar as lembranças. Guardam a risada histérica para o domingo longe dali. Mas estar ali é o que o homem precisa. Não virar as costas. Fechar uma história é manter a dignidade de um rosto levantado, ouvindo o que não se quer escutar. Espantado com o que se tornou para aquela mulher que amava. Porque aquilo que ela diz também é verdade. Mesmo que seja desonesto. Desgraçadamente, há mais desertores do que homens no mundo. Deveriam olhar fora de si. Observar, por exemplo, a dor de uma mãe que perde seu filho no parto. O médico colocará o filho morto no colo materno. É cruel e - ao mesmo tempo - necessário. Para que compreenda que ele morreu. Para que ela o veja e desista de procurá-lo. Para que ela perceba que os nove meses não foram invenção, que a gestação não foi loucura. Que o pequeno realmente existiu, que as contrações realmente existiram, que ela tentou trazê-lo à tona. Que possa se afastar da promessa de uma vida, imaginar seu cheiro e batizar seu rosto por um instante. Descobrir a insuportável e delicada memória que teve um fim, não um final feliz. Ainda que a dor arrebente, ainda é melhor assim.
Fabrício Carpinejar
beijos

19 de agosto de 2011

Dar um Tempo


"Não conheço algo mais irritante do que dar um tempo, para quem pede e para quem recebe. O casal lembra um amontoado de papéis colados. Papéis presos. Tentar desdobrar uma carta molhada é difícil. Ela rasga nos vincos. Tentar sair de um passado sem arranhar é tão difícil quanto. Vai rasgar de qualquer jeito, porque envolve expectativa e uma boa dose de suspense. Os pratos vão quebrar, haverá choro, dor de cotovelo, ciúme, inveja, ódio. É natural explodir. Não é possível arrumar a gravata ou pintar o rosto quando se briga. Não se fica bonito, o rosto incha com ou sem lágrimas. Dar um tempo é se reprimir, supor que se sai e se entra em uma vida com indiferença, sem levar ou deixar algo. Dar um tempo é uma invenção fácil para não sofrer. Mas dar um tempo faz sofrer pois não se diz a verdade.

Dar um tempo é igual a praguejar "desapareça da minha frente". É despejar, escorraçar, dispensar. Não há delicadeza. Aspira ao cinismo. É um jeito educado de faltar com a educação. Dar um tempo não deveria existir porque não se deu a eternidade antes. Quando se dá um tempo é que não há mais tempo para dar, já se gastou o tempo com a possibilidade de um novo romance. Só se dá o tempo para avisar que o tempo acabou. E amor não é consulta, não é terapia, para se controlar o tempo. Quem conta beijos e olha o relógio insistentemente não estava vivo para dar tempo. Deveria dar distância, tempo não. Tempo se consome, se acaba, não é mercadoria, não é corpo. Tempo se esgota, como um pássaro lambe as asas e bebe o ar que sobrou de seu vôo. Qualquer um odeia eufemismo, compaixão, piedade tola. Odeia ser enganado com sinônimos e atenuantes. Odeia ser abafado, sonegado, traído por um termo. Que seja a mais dura palavra, nunca dar um tempo. Dar um tempo é uma ilusão que não será promovida a esperança. Dar um tempo é tirar o tempo. Dar um tempo é fingido. Melhor a clareza do que os modos. Dar um tempo é covardia, para quem não tem coragem de se despedir. Dar um tempo é um tchau que não teve a convicção de um adeus. Dar um tempo não significa nada e é justamente o nada que dói.

Resumir a relação a um ato mecânico dói. Todos dão um tempo e ninguém pretende ser igual a todos nessa hora. Espera-se algo que escape do lugar-comum. Uma frase honesta, autêntica, sublime, ainda que triste. Não se pode dar um tempo, não existe mais coincidência de tempos entre os dois. Dar um tempo é roubar o tempo que foi. Convencionou-se como forma de sair da relação limpo e de banho lavado, sem sinais de violência. Ora, não há maior violência do que dar o tempo. É mandar matar e acreditar que não se sujou as mãos. É compatível em maldade com "quero continuar sendo teu amigo". O que se adia não será cumprido depois."

(do livro "O amor esquece de começar")
Fabricio Carpinejar
Esse texto é perfeito pois muitas vezes vivemos a nos enganar, um tempo, um tempo pra quem ama pode ser pouco mas também pode ser muito, pode ser que dê certo mas também pode ser que seja mais uma etapa para sofrimento, então por que dá um tempo, se você está pedindo um tempo já mostra que algo está errado, então pra que ficar prorrogando sentimentos?
É hora de cair na real, não dá mais e ponto final.
Seria muito fácil se fosse assim, mas não é, a gente prorroga, prorroga e no final ainda sofre.

Vai entender os sentimentos, o coração.

beijos

18 de agosto de 2011

A relação



Uma relação nem sempre termina pq não é feliz. Às vezes termina para preservar a felicidade da memória.
Fabrício Carpinejar
beijos

17 de agosto de 2011

Mantra



"Esquece. Não vou atrás de ninguém. Não mais. Ontem eu quis desesperadamente a sua companhia lá naquele banco da praça, quis ficar ali com você a noite toda se pudesse. E quando fui embora pensei em te ligar, dizer pra voltar amanhã, vir me fazer sorrir. Mas não. Hoje eu acordei e pensei que seria melhor não, eu não quero me apegar em ninguém, não quero precisar de ninguém. Quero seguir livre, entende? mesmo que isso me faça falta, alguém pra me prender um pouquinho. Vou me esquivar de todo sentimento bom que eu venha a sentir, não levar nada a sério mesmo. Ficar perto, abraçar de vez enquando, sentir saudade, gostar um pouquinho*. Mas amar não, amar nunca, amar não serve pra mim. Prefiro assim!"
Caio Fernando Abreu
Não preciso nem comentar hoje ele foi perfeito para o que estou sentindo.Vai ser meu mantra, para não esquecer mesmo, pois não aguento mais as mesmas ladainhas , sim ladainhas da minha vida, vivo prometendo que vou mudar, que vou deixar você de lado mas isso nunca acontece e eu sempre que sofro nessa história, pois um dia você me promete o céu, no outro você me leva ao inferno. Não aguento mais, amar assim não serve...beijos

12 de agosto de 2011

Brincando de aparecer

O pior é que depois de todas as encenações, todos os choros, os apelos calados, os desejos feitos na tentativa de obter algum êxito… você cansa. Acostuma-se. Ele vai e resolve aparecer, assim do nada, com palavras que ele sabe que de algum modo mexe com os meus sentimentos.
Caio Fernando Abreu
Desse jeito ele fez, do nada apareceu, quando eu tinha cansado, quando eu não mais pensava em tê-lo junto de mim, aí vem você e diz que nada mudou. Nada mudou? Será?Nada é eterno, nada é pra sempre.Mas as suas palavras ainda mexem comigo.beijos

10 de agosto de 2011

Saudade



Queria poder te ligar e dizer que tô com saudades e que queria estar junto de você... assim irracionalmente...
beijos

8 de agosto de 2011

Vontade


Vontade de estar juntinha de você, de andar de mãos dadas, de sorri de uma piada sem graça que você conta, de fazer você vê meus filmes" água com açúcar", de comer brigadeiro e pipoca , de brigar pelos crocantes das caixas de bombons, de fazer você rir de mim batendo nas portas" quer dizer elas que me empurram". Vontade de ficar com você e me sentir a pessoa mais feliz do mundo só por estar com você.

Vontade.

beijos

6 de agosto de 2011

De repente eu disse não...


E não sei se estou feliz ou se estou triste...
Não sei se é essa a forma correta de chegar até você...
De mostrar a você que te quero mas quero quando nós dois juntos quisermos...
Que sua vontade só valerá quando caminhar junto da minha...
Não sei...
Mas de repente eu disse não...
beijos

5 de agosto de 2011

Dentro de mim...



?Dentro dela tem um coração bobo, que é capaz de amar e de acreditar outra vez. Uma solidão de artista e um ar sensato de cientista. Tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna.? ? Caio F.

beijos